Eis uma iniciativa que valoriza a divulgação científica no nosso País, por meio da comunicação. Estão abertas, até 18 de maio, as inscrições ao Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, destinado às iniciativas que contribuam para tornar a Ciência, a Tecnologia e a Inovação conhecidas do grande público. O Prêmio José Reis foi criado pelo CNPq em 1978 como reconhecimento do trabalho do professor José Reis. Ainda em vida, o prêmio já levava seu nome.
Serão três categorias premiadas: "Divulgação Científica e Tecnológica", ao pesquisador ou escritor como divulgador da Ciência; "Jornalismo Científico", ao jornalista destaque da área, e "Instituição", premiando a instituição ou o veículo de comunicação que mais apoiou a divulgação científica.
Quanto aos prêmios, na Categoria Instituição e Veículo de Comunicação:
- Troféu
- Participação na Reunião Anual da Sociedade para o Progresso da Ciência (SBPC), que este ano será realizada na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), julho 2012.
Categorias Jornalismo Cientifíco e Divulgação Científica e Tecnológica
- R$ 20 mil
- Troféu
- Participação na Reunião Anual da Sociedade para o Progresso da Ciência (SBPC).
José Reis foi médico, pesquisador, jornalista e educador. Nasceu no Rio de Janeiro e morreu em São Paulo, no dia 16 de maio de 2002, aos 94 anos. Em 1947, o professor José Reis começou a publicar no jornal Folha da Manhã artigos de Divulgação Científica. Esses artigos foram a base para seu trabalho que, entre outras realizações, inclui a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, que ajudou a fundar em 1948.
Um grande feito de José Reis foi explicar ciência de modo didático por meio da imprensa. E não foi só isso, dedicou-se ao jornalismo como à Ciência, e chegou a ser Diretor de Redação da Folha de S. Paulo, entre 1962 e 68. Em 1964 recebeu o Prêmio John R. Reitemeyer, concedido pela Sociedade Interamerica de Imprensa e União Panamericana de Imprensa, por seus trabalhos em Jornalismo Científico. E em 1975 recebeu o Prêmio Kalinga, concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) por seu trabalho de divulgação científica.
Ficha de inscriação, regulamento, lista dos premiados em edições anteriores e outras informações é só clicar aqui
4 de maio de 2012
9 de dezembro de 2011
Panorama da Comunicação no Brasil
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) formou equipes para produzir um estudo sobre o "Panorama da Comunicação no Brasil". Nesta pesquisa do IPEA o grupo MID está investigando sobre as tendências profissionais e ocupacionais.
Um dos métodos de coleta de dados dessa pesquisa é a aplicação de um questionário direcionado aos profissionais que atuam na área da comunicação, em toda a sua diversidade de ações e finalidades, ainda que não possuam formação específica na área da comunicação social.
A pesquisa quer identificar a forma como os profissionais caracterizam suas atividades e seu trabalho, tanto as atividades consideradas tradicionais como as áreas emergentes da comunicação, onde atuam profissionais autodidatas.
Para conhecer mais detalhes e participar da pesquisa clique aqui http://tendenciasprofissionais.wordpress.com
Seleção para divulgação científica
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) seleciona profissionais e estudantes de comunicação para apoio à divulgação científica. As inscrições estão abertas até 29 de dezembro. Serão 11 vagas distribuídas nas seguinte áreas: TV e vídeo, fotografia, relações públicas, coordenação e relações públicas para eventos técnico-científicos na fundação.
Para a vaga de coordenador, é necessário que o candidato tenha formação em jornalismo com especialização em jornalismo científico ou mestrado concluído em comunicação. O valor da bolsa para coordenador é de R$ 2,8 mil. Para os demais profissionais, o valor varia entre R$ 1,3 mil e R$ 2,2 mil, dependendo da titulação. Já para os estudantes de graduação, o valor é de R$ 550.
Para mais informações, é só clicar no edital
Para a vaga de coordenador, é necessário que o candidato tenha formação em jornalismo com especialização em jornalismo científico ou mestrado concluído em comunicação. O valor da bolsa para coordenador é de R$ 2,8 mil. Para os demais profissionais, o valor varia entre R$ 1,3 mil e R$ 2,2 mil, dependendo da titulação. Já para os estudantes de graduação, o valor é de R$ 550.
Para mais informações, é só clicar no edital
19 de outubro de 2011
A corrupção e o jornalista
Encontrei no site da Fenaj e creio que o autor não ficará aborrecido com a publicação neste blog. Achei o raciocínio e o texto maravilhosos.
A corrupção e a função social do jornalista
*José Cleves
Passou da hora de os jornalistas trocarem a crítica genérica sobre a corrupção no país por algo mais prático. Quando o veneno da execração pública já não mais resolve (veja caso Maluf), “porque o crime compensa” (dos R$ 40 bilhões desviados dos cofres públicos federais entre 2002 e 2008, como informa a Fundação Getúlio Vargas, creio que nem 1% foi ressarcido ao erário), a solução é evitar que o mal aconteça e a imprensa pode fazer isso porque corrupção é uma doença contagiosa que prolifera pela omissão. A verdade é que a lei que trata do crime de improbidade administrativa (8.429/92) é maravilhosa na teoria e ordinária na prática.
Não acredito em crime perfeito e não admito o argumento de que esse é um problema estritamente da polícia. Ora, todo mundo sabe que polícia trabalha na consequência do fato. A Militar patrulha e registra ocorrências e a judiciária (Civil e Federal) investiga o fato acontecido. Nenhuma delas tem a função de fiscalizar os órgãos públicos. Esta é uma tarefa do Ministério Público, que é um poder autônomo e desvinculado dos demais, que são por ele fiscalizados – inclusive a polícia (art. 127 a 130 da CF). Mas não é operacional. O promotor não frequenta repartições públicas, não acompanha fisicamente o dia-a-dia da política, não fuça gabinetes. O mesmo pode-se dizer dos conselheiros dos Tribunais de Contas, outra instituição desvinculada dos demais poderes e responsável pela fiscalização das contas públicas – dinheiro, bens e valores públicos (art. 71 CF).
Portanto, sobrou para os jornalistas, que são obrigados a escarafunchar gabinetes, levantar tapetes e se intrometer nos negócios do governo para relatar ao público o que os seus representantes e prepostos estão fazendo com o seu dinheiro. Por essa razão, não podemos ficar no limite do escândalo. Imagine um médico pasmo com o agravamento da doença de seu paciente, sem fazer nada. Ao repórter omisso, aplica-se a mesma premissa do juramento hipocrático, por crime de má conduta na apuração do fato. Como a nossa atividade é autônoma e sem uma autorregulação, pela ausência de um conselho federal, por exemplo, ela foge ao controle do Estado e da própria classe, não havendo meios legais para se punir o mau profissional, a não ser quando ele comete crimes comuns previstos em lei.
Frente contra a Corrupção
A informação é um bem social imprescindível – foi por falta dela que os Estados Unidos sofreram o 11 de setembro, o maior atentado terrorista da história. O Estado democrático e o dever de ofício levam o jornalista e o promotor à condição de predadores dos agentes públicos infiéis – um fuça e o outro jurisdiciona – com a diferença de que o salário do promotor é pago pelos contribuintes, que não visam ao lucro. Já o jornalista presta serviço para empresários que só pensam em dinheiro. O promotor desonesto pode perder o emprego para sempre, mas se o repórter pegar um jabá, por exemplo, corre o risco de ficar desempregado temporariamente porque essa é uma prerrogativa do veículo onde trabalha. Ou seja, no caso do jornalista, a relação patrão-empregado não passa pelo crivo da moralidade.
É por essas e outras razões que defendo, ardentemente, a autorregulação da profissão de jornalista, seja através de um conselho ou ordem, para o autocontrole da conduta ética e profissional da categoria, através de instrumentos que vão além de meros preceitos éticos. É humilhante uma classe de intelectuais como a nossa, responsável por tão nobre missão, não ter competência para se organizar na forma de uma instituição como a dos advogados ou médicos, por exemplo, que possuem instrumentos próprios para o controle dos registros profissionais. Não admito que o controle de registro profissional do jornalista continue sendo feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego, se temos plenas condições de ter o seu domínio de forma mais eficiente e competente.
Lavando a roupa suja, temos que considerar que boa parte dos jornalistas peca por falta de qualificação ou de caráter – ou dos dois juntos. A falta de caráter não tem cura (e nem ensinamentos, como pensava Sócrates), mas qualificar é possível. Por isso sugiro à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e demais entidades representativas da classe que realizem um encontro nacional da categoria para conscientizá-la sobre o seu real papel na fiscalização dos agentes públicos e orientá-la sobre meios e métodos de atuação – os critérios de conduta ética e a importância da imprensa como guardiã do patrimônio público.
O mote do encontro seria o verdadeiro papel da imprensa diante do aumento da corrupção no país. Como convidados, teríamos a participação de representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia, do Tribunal de Contas e do Poder Legislativo e Executivo – todos eles no plano estadual e federal – para a formação de uma grande Frente contra a Corrupção.
Venda de espaço
Além de integralizar esses poderes, assuntos importantes, como o acesso aos registros públicos e o aspecto jurisdicional das ações, enriqueceriam o debate na busca de um atalho para o combate à corrupção no país. O Brasil conta hoje com 5.502 municípios, creio que 70% deles com cobertura jornalística, seja por veículos próprios ou regionais. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), existem no país 4.056 jornais filiados à entidade e um número não calculado de não filiados. Mas, em termos efetivos, pode-se dizer que 90% deste trabalho é ineficiente. Ou seja, praticamente sem nenhuma fiscalização jornalística rigorosa.
Este fato agravou-se com a dispensa do diploma para o exercício da profissão de jornalista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Moral da história, o que estava ruim, piorou ainda mais. Até porque existem os jornais pontuais, que surgem em época de eleição para dar apoio a este ou aquele candidato. São panfletos que não deveriam ter nenhum crédito, mas são formadores de opinião – e o pior: por traz de cada um desses jornais tem sempre um jornalista fazendo bico para sobreviver.
Sei que a forma com a qual a imprensa nanica fiscaliza os agentes públicos no interior é altamente favorável à corrupção porque a maioria destes veículos depende de verbas públicas para sobreviver. Vende espaço e opinião em troca de favores. Esta relação incestuosa anula a imprensa e faz do jornalista um contribuinte passivo da corrupção. Ora, é compreensível que o dono de um jornal do interior dependa de verbas públicas para custear o seu veículo, mas ele não pode se anular por completo. Tem, no mínimo, que cumprir a sua obrigação de informar o público sobre todos os fatos políticos que ocorrem na cidade porque é função do jornalismo nos regimes democráticos fiscalizar os poderes públicos e privados e assegurar a transparência das relações políticas, econômicas e sociais.
O jornalismo declaratório
Por conta disso, a imprensa e a mídia são, às vezes, cognominadas de o Quarto Poder, aquele que é responsável pela fiscalização dos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Assim sendo, é obrigação do jornalista fazer a cobertura sistematicamente do Poder Legislativo, comparecendo a todas as reuniões ordinárias e extraordinárias para levar ao público o que rola nos seus bastidores e com isso fiscalizar o Poder Executivo, que sem o Legislativo não faz nada. É preciso, ainda, ter profundo conhecimento do seu Regimento Interno e da Lei Orgânica do Município.
Recomenda-se que o material obtido nos debates públicos vá para o mix de reportagem, onde deve ser publicado com isenção, ficando as impressões jornalísticas para a seção de opinião. Com isso, o jornal cumpre o seu papel pela concisão do fato relatado. Este tipo de trabalho sério normalmente é reconhecido pelas autoridades, até porque o bom jornalista é aquele que se impõe pelo respeito e a seriedade de seu trabalho. O segredo é se informar bem para informar melhor ainda.
Vale lembrar que as coberturas dos poderes legislativos são exauridas ao final das reuniões porque este é um poder representativo de todos os interesses políticos e coletivos. Dentro desta Casa estão os representantes do povo, dos partidos políticos, do prefeito e de todos os demais segmentos da sociedade, de forma que se a fala de um vereador ou de um deputado ofender alguma autoridade, lá estará, com certeza, o representante legal deste para fazer a sua defesa. Se isso não ocorre, não é problema do repórter. Funciona assim. É o que chamamos de jornalismo declaratório – um fala e outro se defende, através de um debate democrático e salutar. O jornalista, neste caso, é mero mediador de fatos.
Relação estritamente profissional
Outra atenção especial deve ser dada às licitações públicas que, por lei, são publicadas na imprensa oficial. O repórter precisa conhecer a lei que rege as licitações públicas (8.666/03), ler os editais e checar os aditivos, que não podem passar de 25% do valor da obra ou do serviço a ser prestado. É sabido que as principais irregularidades detectadas pelos Tribunais de Contas nas prestações de contas dos municípios estão nas licitações, movimentação de pessoal e no setor de compras, procedimentos esses que não passam pelo Legislativo.
Portanto, é necessário ao repórter ficar atento a tudo isso porque o tamanho do dinheiro público que vai para o ralo depende do tamanho da omissão jornalística. Até porque, é sempre bom lembrar, o poder judiciário trabalha por provocação. Por isso é importante ao jornalista atuar em parceria com o Ministério Público, que tem poderes para, entre outras coisas, mover uma ação cível pública contra um prefeito ou vereadores por crime de improbidade administrativa.
A eficiência jornalística tem tudo a ver com a conduta pessoal do jornalista. Portanto, o ideal é que o repórter evite qualquer relação que venha mais tarde a criar constrangimentos para o livre exercício da profissão. O repórter não deve ter nenhuma relação de amizade com políticos e demais autoridades que fazem parte de seu contexto profissional. Evitar ao máximo possível as informalidades, não aceitar nada que venha a comprometer o seu trabalho, como favores ou agrados, e não fazer parte dos segredos profissionais e/ou particulares de agentes públicos que ostentam poderes porque isso compromete a relação profissional. Eu não vou a festa de político, não lhe peço favores, não os aceito e nem dou margem para que eles me tratem como amigo. A nossa relação tem que ser estritamente profissional, de respeito mútuo, para que possamos ser céticos, críticos e independentes, como dever ser um bom jornalista.
Agindo desta forma qualificada e ética iremos, com certeza, contribuir muito para a redução da corrupção no país.
* Jornalista, Belo Horizonte (MG)
Publicado no Observatório da Imprensa em 04/10/2011
A corrupção e a função social do jornalista
*José Cleves
Passou da hora de os jornalistas trocarem a crítica genérica sobre a corrupção no país por algo mais prático. Quando o veneno da execração pública já não mais resolve (veja caso Maluf), “porque o crime compensa” (dos R$ 40 bilhões desviados dos cofres públicos federais entre 2002 e 2008, como informa a Fundação Getúlio Vargas, creio que nem 1% foi ressarcido ao erário), a solução é evitar que o mal aconteça e a imprensa pode fazer isso porque corrupção é uma doença contagiosa que prolifera pela omissão. A verdade é que a lei que trata do crime de improbidade administrativa (8.429/92) é maravilhosa na teoria e ordinária na prática.
Não acredito em crime perfeito e não admito o argumento de que esse é um problema estritamente da polícia. Ora, todo mundo sabe que polícia trabalha na consequência do fato. A Militar patrulha e registra ocorrências e a judiciária (Civil e Federal) investiga o fato acontecido. Nenhuma delas tem a função de fiscalizar os órgãos públicos. Esta é uma tarefa do Ministério Público, que é um poder autônomo e desvinculado dos demais, que são por ele fiscalizados – inclusive a polícia (art. 127 a 130 da CF). Mas não é operacional. O promotor não frequenta repartições públicas, não acompanha fisicamente o dia-a-dia da política, não fuça gabinetes. O mesmo pode-se dizer dos conselheiros dos Tribunais de Contas, outra instituição desvinculada dos demais poderes e responsável pela fiscalização das contas públicas – dinheiro, bens e valores públicos (art. 71 CF).
Portanto, sobrou para os jornalistas, que são obrigados a escarafunchar gabinetes, levantar tapetes e se intrometer nos negócios do governo para relatar ao público o que os seus representantes e prepostos estão fazendo com o seu dinheiro. Por essa razão, não podemos ficar no limite do escândalo. Imagine um médico pasmo com o agravamento da doença de seu paciente, sem fazer nada. Ao repórter omisso, aplica-se a mesma premissa do juramento hipocrático, por crime de má conduta na apuração do fato. Como a nossa atividade é autônoma e sem uma autorregulação, pela ausência de um conselho federal, por exemplo, ela foge ao controle do Estado e da própria classe, não havendo meios legais para se punir o mau profissional, a não ser quando ele comete crimes comuns previstos em lei.
Frente contra a Corrupção
A informação é um bem social imprescindível – foi por falta dela que os Estados Unidos sofreram o 11 de setembro, o maior atentado terrorista da história. O Estado democrático e o dever de ofício levam o jornalista e o promotor à condição de predadores dos agentes públicos infiéis – um fuça e o outro jurisdiciona – com a diferença de que o salário do promotor é pago pelos contribuintes, que não visam ao lucro. Já o jornalista presta serviço para empresários que só pensam em dinheiro. O promotor desonesto pode perder o emprego para sempre, mas se o repórter pegar um jabá, por exemplo, corre o risco de ficar desempregado temporariamente porque essa é uma prerrogativa do veículo onde trabalha. Ou seja, no caso do jornalista, a relação patrão-empregado não passa pelo crivo da moralidade.
É por essas e outras razões que defendo, ardentemente, a autorregulação da profissão de jornalista, seja através de um conselho ou ordem, para o autocontrole da conduta ética e profissional da categoria, através de instrumentos que vão além de meros preceitos éticos. É humilhante uma classe de intelectuais como a nossa, responsável por tão nobre missão, não ter competência para se organizar na forma de uma instituição como a dos advogados ou médicos, por exemplo, que possuem instrumentos próprios para o controle dos registros profissionais. Não admito que o controle de registro profissional do jornalista continue sendo feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego, se temos plenas condições de ter o seu domínio de forma mais eficiente e competente.
Lavando a roupa suja, temos que considerar que boa parte dos jornalistas peca por falta de qualificação ou de caráter – ou dos dois juntos. A falta de caráter não tem cura (e nem ensinamentos, como pensava Sócrates), mas qualificar é possível. Por isso sugiro à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e demais entidades representativas da classe que realizem um encontro nacional da categoria para conscientizá-la sobre o seu real papel na fiscalização dos agentes públicos e orientá-la sobre meios e métodos de atuação – os critérios de conduta ética e a importância da imprensa como guardiã do patrimônio público.
O mote do encontro seria o verdadeiro papel da imprensa diante do aumento da corrupção no país. Como convidados, teríamos a participação de representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia, do Tribunal de Contas e do Poder Legislativo e Executivo – todos eles no plano estadual e federal – para a formação de uma grande Frente contra a Corrupção.
Venda de espaço
Além de integralizar esses poderes, assuntos importantes, como o acesso aos registros públicos e o aspecto jurisdicional das ações, enriqueceriam o debate na busca de um atalho para o combate à corrupção no país. O Brasil conta hoje com 5.502 municípios, creio que 70% deles com cobertura jornalística, seja por veículos próprios ou regionais. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), existem no país 4.056 jornais filiados à entidade e um número não calculado de não filiados. Mas, em termos efetivos, pode-se dizer que 90% deste trabalho é ineficiente. Ou seja, praticamente sem nenhuma fiscalização jornalística rigorosa.
Este fato agravou-se com a dispensa do diploma para o exercício da profissão de jornalista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Moral da história, o que estava ruim, piorou ainda mais. Até porque existem os jornais pontuais, que surgem em época de eleição para dar apoio a este ou aquele candidato. São panfletos que não deveriam ter nenhum crédito, mas são formadores de opinião – e o pior: por traz de cada um desses jornais tem sempre um jornalista fazendo bico para sobreviver.
Sei que a forma com a qual a imprensa nanica fiscaliza os agentes públicos no interior é altamente favorável à corrupção porque a maioria destes veículos depende de verbas públicas para sobreviver. Vende espaço e opinião em troca de favores. Esta relação incestuosa anula a imprensa e faz do jornalista um contribuinte passivo da corrupção. Ora, é compreensível que o dono de um jornal do interior dependa de verbas públicas para custear o seu veículo, mas ele não pode se anular por completo. Tem, no mínimo, que cumprir a sua obrigação de informar o público sobre todos os fatos políticos que ocorrem na cidade porque é função do jornalismo nos regimes democráticos fiscalizar os poderes públicos e privados e assegurar a transparência das relações políticas, econômicas e sociais.
O jornalismo declaratório
Por conta disso, a imprensa e a mídia são, às vezes, cognominadas de o Quarto Poder, aquele que é responsável pela fiscalização dos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Assim sendo, é obrigação do jornalista fazer a cobertura sistematicamente do Poder Legislativo, comparecendo a todas as reuniões ordinárias e extraordinárias para levar ao público o que rola nos seus bastidores e com isso fiscalizar o Poder Executivo, que sem o Legislativo não faz nada. É preciso, ainda, ter profundo conhecimento do seu Regimento Interno e da Lei Orgânica do Município.
Recomenda-se que o material obtido nos debates públicos vá para o mix de reportagem, onde deve ser publicado com isenção, ficando as impressões jornalísticas para a seção de opinião. Com isso, o jornal cumpre o seu papel pela concisão do fato relatado. Este tipo de trabalho sério normalmente é reconhecido pelas autoridades, até porque o bom jornalista é aquele que se impõe pelo respeito e a seriedade de seu trabalho. O segredo é se informar bem para informar melhor ainda.
Vale lembrar que as coberturas dos poderes legislativos são exauridas ao final das reuniões porque este é um poder representativo de todos os interesses políticos e coletivos. Dentro desta Casa estão os representantes do povo, dos partidos políticos, do prefeito e de todos os demais segmentos da sociedade, de forma que se a fala de um vereador ou de um deputado ofender alguma autoridade, lá estará, com certeza, o representante legal deste para fazer a sua defesa. Se isso não ocorre, não é problema do repórter. Funciona assim. É o que chamamos de jornalismo declaratório – um fala e outro se defende, através de um debate democrático e salutar. O jornalista, neste caso, é mero mediador de fatos.
Relação estritamente profissional
Outra atenção especial deve ser dada às licitações públicas que, por lei, são publicadas na imprensa oficial. O repórter precisa conhecer a lei que rege as licitações públicas (8.666/03), ler os editais e checar os aditivos, que não podem passar de 25% do valor da obra ou do serviço a ser prestado. É sabido que as principais irregularidades detectadas pelos Tribunais de Contas nas prestações de contas dos municípios estão nas licitações, movimentação de pessoal e no setor de compras, procedimentos esses que não passam pelo Legislativo.
Portanto, é necessário ao repórter ficar atento a tudo isso porque o tamanho do dinheiro público que vai para o ralo depende do tamanho da omissão jornalística. Até porque, é sempre bom lembrar, o poder judiciário trabalha por provocação. Por isso é importante ao jornalista atuar em parceria com o Ministério Público, que tem poderes para, entre outras coisas, mover uma ação cível pública contra um prefeito ou vereadores por crime de improbidade administrativa.
A eficiência jornalística tem tudo a ver com a conduta pessoal do jornalista. Portanto, o ideal é que o repórter evite qualquer relação que venha mais tarde a criar constrangimentos para o livre exercício da profissão. O repórter não deve ter nenhuma relação de amizade com políticos e demais autoridades que fazem parte de seu contexto profissional. Evitar ao máximo possível as informalidades, não aceitar nada que venha a comprometer o seu trabalho, como favores ou agrados, e não fazer parte dos segredos profissionais e/ou particulares de agentes públicos que ostentam poderes porque isso compromete a relação profissional. Eu não vou a festa de político, não lhe peço favores, não os aceito e nem dou margem para que eles me tratem como amigo. A nossa relação tem que ser estritamente profissional, de respeito mútuo, para que possamos ser céticos, críticos e independentes, como dever ser um bom jornalista.
Agindo desta forma qualificada e ética iremos, com certeza, contribuir muito para a redução da corrupção no país.
* Jornalista, Belo Horizonte (MG)
Publicado no Observatório da Imprensa em 04/10/2011
1 de setembro de 2011
Mídia Cidadã
A região Norte sedia, pela primeira vez, a Conferência de Mídia Cidadã. Com
o tema “Amazônia e o direito de comunicar”, neste ano serão realizadas a II
Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã. O
evento ocorrerá em Belém, entre os dias 17 e 22 de outubro de 2011. As
inscrições já começaram e vão até o dia 10 de outubro de 2011.
A partir da temática central, que focaliza um olhar diferente sobre uma
região tão diversificada, de múltiplas culturas, povos e identidades quanto
a Amazônia, a Conferência propõe uma mediação entre pesquisadores,
produtores e ativistas envolvidos.
O evento busca, ainda, socializar produções midiáticas feitas por movimentos
sociais, ONGs, entidades públicas e empresas privadas, bem como incitar uma
interação entre as áreas de Comunicação, Direito, Educação, Tecnologia,
Saúde, Artes e áreas afins, de diferentes universidades e faculdades, com
movimentos sociais e outras instituições.
Promovido desde 2005 pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o
Desenvolvimento Regional, na atual edição* *são esperados cerca de 700
participantes de todo o Brasil e de vários países da América do Sul.
Programação
Durante o evento serão realizados painéis, oficinas, sessões de apresentação
de trabalhos científicos, relatos de experiência, sessões de lançamento de
livros e atividades culturais. Quem se interessar poderá se inscrever no
site do evento: midiacidada.ufpa.br .
A II Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã e VII Conferência Brasileira
de Mídia Cidadã é uma promoção da Cátedra UNESCO/UMESP e da Rede Nacional
Pró-Mídia Cidadã. A Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza o evento por
meio do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), Instituto de Letras e
Comunicação (ILC), Instituto de Ciências da Arte (ICA), Faculdade de
Comunicação, PPGCOM “Comunicação, Cultura e Amazônia”, da Assessoria de
Educação a Distância (AEDi) e das Pró-Reitoras de Ensino de Graduação
(PROEG) e de Extensão (PROEX), além da co-realização do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG).
Email: midiacidada2011@gmail.com
Tel: (91) 4005-7436/ (91) 3201-8699
Site: midiacidada.ufpa.br
o tema “Amazônia e o direito de comunicar”, neste ano serão realizadas a II
Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã. O
evento ocorrerá em Belém, entre os dias 17 e 22 de outubro de 2011. As
inscrições já começaram e vão até o dia 10 de outubro de 2011.
A partir da temática central, que focaliza um olhar diferente sobre uma
região tão diversificada, de múltiplas culturas, povos e identidades quanto
a Amazônia, a Conferência propõe uma mediação entre pesquisadores,
produtores e ativistas envolvidos.
O evento busca, ainda, socializar produções midiáticas feitas por movimentos
sociais, ONGs, entidades públicas e empresas privadas, bem como incitar uma
interação entre as áreas de Comunicação, Direito, Educação, Tecnologia,
Saúde, Artes e áreas afins, de diferentes universidades e faculdades, com
movimentos sociais e outras instituições.
Promovido desde 2005 pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o
Desenvolvimento Regional, na atual edição* *são esperados cerca de 700
participantes de todo o Brasil e de vários países da América do Sul.
Programação
Durante o evento serão realizados painéis, oficinas, sessões de apresentação
de trabalhos científicos, relatos de experiência, sessões de lançamento de
livros e atividades culturais. Quem se interessar poderá se inscrever no
site do evento: midiacidada.ufpa.br
A II Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã e VII Conferência Brasileira
de Mídia Cidadã é uma promoção da Cátedra UNESCO/UMESP e da Rede Nacional
Pró-Mídia Cidadã. A Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza o evento por
meio do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), Instituto de Letras e
Comunicação (ILC), Instituto de Ciências da Arte (ICA), Faculdade de
Comunicação, PPGCOM “Comunicação, Cultura e Amazônia”, da Assessoria de
Educação a Distância (AEDi) e das Pró-Reitoras de Ensino de Graduação
(PROEG) e de Extensão (PROEX), além da co-realização do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG).
Email: midiacidada2011@gmail.com
Tel: (91) 4005-7436/ (91) 3201-8699
Site: midiacidada.ufpa.br
25 de agosto de 2011
Agência de notícias
A Secretaria de Estado da Comunicação anunciou o lançamento da Agência de Notícias do Amapá, que pode ser acessada pelo endereço http://www.agenciaamapa.com.br.
Jornalistas e internautas em geral terão acesso a fotos de alta, média e baixa resolução, além de áudios e vídeos com entrevistas do governador e gestores.
Na página principal, o usuário tem à disposição os nomes e contatos dos assessores de comunicação de vários órgãos do governo. Poderá cadastrar e-mails para receber notícias, além de ter acesso a pautas e notas.
A Agência também está interligada com as redes sociais. Ou seja, automaticamente tudo que for postado, vai para o twitter oficial do Governo do Amapá.
O site foi criado pela empresa W3ccom, sob a orientação da equipe da Secretaria de Comunicação, que tem como titular a jornalista Jacinta Carvalho.
fonte: Secom (www.ap.gov.br)
Jornalistas e internautas em geral terão acesso a fotos de alta, média e baixa resolução, além de áudios e vídeos com entrevistas do governador e gestores.
Na página principal, o usuário tem à disposição os nomes e contatos dos assessores de comunicação de vários órgãos do governo. Poderá cadastrar e-mails para receber notícias, além de ter acesso a pautas e notas.
A Agência também está interligada com as redes sociais. Ou seja, automaticamente tudo que for postado, vai para o twitter oficial do Governo do Amapá.
O site foi criado pela empresa W3ccom, sob a orientação da equipe da Secretaria de Comunicação, que tem como titular a jornalista Jacinta Carvalho.
fonte: Secom (www.ap.gov.br)
18 de agosto de 2011
Concerto de Verão em Macapá
O multi-instrumentista Paulo Bastos será atração do Concerto de Verão desta sexta-feira (20), no Largo dos Inocentes, às 20 horas. Com experimentações rítmicas envolvendo word music e marabaixo, Paulo terá participação dos músicos Beto Oscar, Diogo, Lucas Santos e Nitay Santos, e como convidados Paola Bastos, Diego Silva e Ismael Bituca. Um show com inusitados arranjos incluindo instrumentos convencionais como violão e piano com a percussão rústica das caixas de marabaixo.
A dança entra no espetáculo com a Companhia de Dança de Salão Marcio Santos, criada em janeiro de 2009. Márcio, coreógrafo e bailarino, tem vários prêmios como melhor bailarino, bailarino revelação, melhor coreógrafo, melhor bailarino de dança moderna através de participações em relevantes festivais. Atualmente integra a Agesandro Rego Companhia de Dança. No show “Pau e Corda”, Márcio Santos e sua companhia farão apresentações de dança de salão.
O projeto Concertos de Verão é uma criação da Confraria Tucuju, casa de cultura com 15 anos de tradição no Amapá. Os concertos foram concebidos para formação de plateia para a música instrumental e acontecem há quatro anos no Largo dos Inocentes, centro histórico de Macapá, sempre às sextas-feiras às 20 horas, de agosto a novembro. Há dois anos o projeto tem patrocínio do Ministério da Cultura, com recursos alocados através de emenda parlamentar da ex-deputada federal Lucenira Pimentel.
Márcia Corrêa
(96) 8142-6200
A dança entra no espetáculo com a Companhia de Dança de Salão Marcio Santos, criada em janeiro de 2009. Márcio, coreógrafo e bailarino, tem vários prêmios como melhor bailarino, bailarino revelação, melhor coreógrafo, melhor bailarino de dança moderna através de participações em relevantes festivais. Atualmente integra a Agesandro Rego Companhia de Dança. No show “Pau e Corda”, Márcio Santos e sua companhia farão apresentações de dança de salão.
O projeto Concertos de Verão é uma criação da Confraria Tucuju, casa de cultura com 15 anos de tradição no Amapá. Os concertos foram concebidos para formação de plateia para a música instrumental e acontecem há quatro anos no Largo dos Inocentes, centro histórico de Macapá, sempre às sextas-feiras às 20 horas, de agosto a novembro. Há dois anos o projeto tem patrocínio do Ministério da Cultura, com recursos alocados através de emenda parlamentar da ex-deputada federal Lucenira Pimentel.
Márcia Corrêa
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