29 de outubro de 2008

Amapá, celeiro de pautas II

Aluno Rodney e professor Clabyson, protagonistas da educação no campo.

Escola Família do Cedro

A Escola Família do Cedro é mais recente das cinco do gênero que funcionam no Amapá. Localizada no município de Tartarugalzinho, bem próximo da Agrovila Cedro. Conta com 80 alunos em turmas de ensino fundamental e oferece o ensino médio até o segundo ano. A estrutura ainda é precária. Mas estão construindo prédios novos, em alvenaria: a cozinha-refeitório e alojamentos dos alunos.

Na Escola Família, os professores são chamados de monitores. Clabyson Silva Aguiar é monitor na Escola do Cedro e também coordena as atividades de campo. Foi aluno da Escola do Pacuí e hoje é inspiração para jovens como Rodney de Souza da Conceição, 21 anos, que diz-se vocacionado a viver e trabalhar no campo.

No dia 27 de junho deste ano, eles fizeram um plantio de sementes de feijão-caupi no quintal da escola. O esforço foi árduo, por falta de um trator nos primeiros dias, tiveram que arrancar os tocos a mão. O feijão foi levado pela Embrapa, é a variedade “BRS Tumucumaque”, resultado de testes feitos nos campos do Amapá. O BRS é padronizado pela Embrapa para nomear todas as variedades de produtos agrícolas, faz alusão a Brasil. E Tumucumaque é homenagem a um patrimônio natural do Amapá: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Para quem ainda não sabe, é a maior unidade de conservação de floresta tropical do planeta, com 3,8 milhões de hectares.

Voltando ao feijão-caupi. Três meses depois veio a colheita e resolveram dividir em duas partes. Uma para o consumo da escola (almoço e jantar) e a outra metade está na câmara fria da Embrapa. Sabe para que? para formar o banco de sementes da escola. Rodney da Conceição admite que no início ficou desconfiado quando os técnicos da Embrapa recomendaram um espaçamento menor. “Quando vimos que nos trouxe uma boa colheita, acreditamos na nova técnica”.

Amapá, celeiro de pautas

O produtor Tomé de Souza Belo, da comunidade do Carvão, em Mazagão. No viveiro de mudas da Escola Família.

Envolvida em múltiplas atividades, infelizmente não me sobra tempo para exercitar a reportagem, diversificar as fontes das minhas matérias (ou release, como queiram) , enfim, ir onde está a notícia, cheirar, pegar, certificar-se e desconfiar de tudo que não deveríamos aceitar de bate pronto nos relatórios e declarações anacrônicas.

Quando a oportunidade surgiu, agarrei-a com blocos, caneta, máquina fotográfica, gravador, teclado e monitor. Um projeto de transferência de tecnologias agropecuárias aplicado nas cinco Escolas Famílias Rurais do Amapá possibilitou que eu conhecesse, in loco, as diferenças de estruturas destas escolas, o funcionamento e o contato direto com professores, agricultores e jovens aprendizes do curso técnico em agropecuária.

É um celeiro de pautas esse interior do Amapá. Compartilho aqui curiosidades anotadas durante as andanças pelas escolas famílias rurais. Espero servir como sugestão para os colegas das redações, e para que eu fique à mercê dos elogios e das críticas.

Escola Família do Carvão

Fica no município de Mazagão. Como se fôssemos para a cidade, pegamos as duas balsas e depois o atalho do ramal da comunidade Cedro. Nesta época, de verão, muita poeira. Se fosse no primeiro semestre, muita lama. A Escola é bem estruturada, tem até internet via rádio para as crianças, energia elétrica e água tratada após captada do poço. Anotei e fotografei muitos fatos que não entraram no informativo do projeto, mas que merecem registro pelo valor de notícia jornalística e como documento deste momento da escola. A criação de suínos é um deles.

Foi um prazer reencontrar seu Tomé de Souza Belo, fundador da Escola Família do Carvão. Eu ja o conhecia de uma cerimônia de assinatura de convênio na Embrapa. Um senhor risonho de 72 anos, agricultor desde criança e cheio de histórias para preencher duas, três páginas de jornal.
Antes de falar do Tomé, é preciso dizer que Escola Família do Carvão é uma espécie de espelho para a comunidade. A maioria dos jovens alunos são filhos de agricultores da redondeza. E tudo que aprendem na escola levam para aplicar nos terrenos dos pais, porque é assim o método pedagógico da alternância, aplicado nas escolas famílias.

O prestígio que a escola consolida a cada dia para a comunidade tem como um dos personagens o próprio Tomé de Souza Belo. Ele nasceu num braço do rio Mutuacá (Mazagão), em 1935. Portanto, o Amapá era território do Estado do Pará. “Por isso sempre digo que sou paraense e amapaense ao mesmo tempo”, diz o produtor, gargalhando.

Tomé aprendeu cedo que para ter alimento em casa precisava cultivar mandioca, feijão e arroz. “Era uma tradição plantar, senão ninguém comia. Era difícil comércio destas coisas”. O estudo também sempre atraiu Tomé. Em Mazagão Velho fez quatro anos do primário (na época era de cinco anos) e depois concluiu pelo Mobral. Quando a mãe ficou viúva, retornou com os filhos para o campo, onde Tomé ficou adulto. Seus olhos brilham quando diz que ao casar, já possuía lavoura de mandioca, milho, arroz. “Fui tendo meus filhos, 12 no total. E hoje são 27 netos e 9 bisnetos”.

Tomé foi um dos fundadores da comunidade do Carvão. Viu chegar a assistência técnica no campo, em 1976. Ele recorda que no começo os agricultores reagiram. Normal, eles tinham sua tradição de plantio. O agrônomo queria ensinar as técnicas da limpeza, rotação, tratos culturais, plantar mandioca em fileira dupla. “Aqui se plantava aleatoriamente, sem espaçamento definido, com ferro de cova em vez de enxada, que depois passou a ser usada”, recorda Tomé.

No início dos anos 80 chegou a Embrapa, na época um núcleo local do Centro de Pesquisa do Trópico Úmido (CPATU), o nome antigo da atual Embrapa Amazônia Oriental (sediada em Belém-Pará). A primeira aproximação foi em uma reunião no Colégio Diocesano, em Macapá. Tomé era um articulador do movimento de trabalhadores rurais, chegou a presidir por muito tempo o sindicato da categoria, e também ligado à Igreja Católica. Por sinal, ler a Bíblia sem óculos, sem dificuldade alguma para uma pessoa de 72 anos de idade, e jura que não tem diabetes, colesterol além do normal, pressão alta, ansiedade, essas coisas que afetam tanto a gente na cidade. De tão sereno e bem humorado, é visto como um verdadeiro vovô do campo, mas não abre mão de alertar para os princípios que fizeram valer sua fama de bom homem: sinceridade, dedicação ao trabalho, bom humor e respeito ao próximo.

9 de outubro de 2008

Licitação para portal

Recebo regularmente a newsletter da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) com conteúdo voltado para a divulgação das ações de comunicação das instituições do Governo Federal, incluindo os Ministérios, empresas públicas e outros órgãos da administração direta e indireta.

O editor do boletim informativo é o jornalista Jorge Duarte, do quadro da Embrapa cedido atualmente para a Secom. Trata-se de um dos poucos jornalistas do Brasil contectado e conhecedor, por experiência profissional e por estudos teóricos, das áreas de assessoria, redação e academia.

Como o cadastro é restrito aos agentes de comunicação dos órgãos federais, pretendo socializar aqui informações que possam contribuir para os coleguinhas aperfeiçoarem suas práticas de assessoria ou mesmo apenas para tomarem conhecimento das fontes primárias de acesso a informações de interesse público.

Hoje mesmo recebi um número que fala da licitação da Secom para o novo portal na Internet. Abaixo, a chamada:

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) vai criar um novo portal na Internet voltado para a promoção da imagem institucional do Brasil no Exterior e que contribua para a atração de novos investimentos estrangeiros.

Além disso vai reformular o portal de internet do Governo Federal, com o objetivo de torná-lo um canal mais atraente, acessível e funcional para o cidadão. Para tanto, lançou o edital (nº 03/2008) de contratação de empresa de comunicação digital para prestar serviços de planejamento, concepção, desenvolvimento, implementação e atualização do portal e sítios da Presidência da República.

O edital foi publicado no Diário Oficial nesta segunda-feira (dia 6/10), seção 3, página 3, na modalidade da concorrência "técnica e preço", e valor estimado do contrato de R$ 11,1 milhões para o período de 12 meses. A empresa vencedora da licitação também reformulará os sites da Presidência da República e fará a manutenção dos mesmos.

Para contribuir na confecção do edital, dar transparência ao processo de contratação e permitir a ampla participação dos interessados, a Secom promoveu audiência pública, em 28 de abril, com a presença de 21 empresas do setor. A publicação do edital de comunicação digital segue a linha da Secretaria de Comunicação Social de colocar em prática as orientações do Tribunal de Contas da União (TCU) para promover licitações específicas para os diversos serviços de comunicação (pesquisa, assessoria de imprensa, conteúdos em meios digitais etc).

Outras duas concorrências da Secom estão em andamento: contratações de uma empresa de assessoria de imprensa e de relações públicas para promover o País no exterior e outra para a realização de pesquisas de opinião.

"Além de atuação voltada ao público estrangeiro,é importante frisar que o edital foi concebido para atender uma necessidade do cidadão e do governo federal com conteúdo e funcionalidades que direcionem o cidadão para os serviços de utilidade pública do Estado, ", disse Ottoni Fernandes Jr, Secretário Executivo da Secom.


Outro assunto pautado na newslterra da Secom:

A sociedade terá ainda mais informações eletrônicas sobre o andamento de processos e petições protocolados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir dessa quinta-feira (2/10), os cidadãos e o setor regulado terão acesso a 37 status relacionados à tramitação de documentos pelo site da Anvisa.