Para além dos manuais, oficinas e seminários, existem os acontecimentos do dia-a-dia que também ensinam sobre atitudes em assessoria de imprensa. No passeio de hoje pelos blogs, minha primeira leitura foi o relato da jornalista da TV Amapá (Globo, canal 6 em Macapá), publicado no Repiquete e que republico abaixo. Logicamente me solidarizo com a equipe, como jornalista e como cidadã que repudia violência de qualquer espécie. Refiro-me unicamente ao que a decente jornalista descreveu. Há algumas lacunas, por exemplo quem é Carlos Araújo, qual a função dele na Polícia Técnica? Ele foi grosso e violento ao ser abordado, ou ele interferiu (estupidamente) quando a equipe tentava fazer seu trabalho abordando outra pessoa?
Uma frase da jornalista, em especial, chama a atenção, mesmo que muito superficialmente, para o papel das assessorias (estaria aí a chave da charada da função do Carlos Araújo?): "Será que no entendimento das "assessorias" a imprensa amapaense só serve para cobrir encontros, discursos e assinaturas de convênios em gabinetes?!" Uma perpicaz observação sobre o comportamento dos jornalistas diante da enxurrada de releases, que puxa várias outras questões como o fato de que o comportamento do jornalista diante de uma pauta, de uma fonte, sempre dependerá (e muito) da linha política do dono do veículo e não dos ditames do jornalismo e também o fato de que muitos jornalistas consideram sim a coisa mais normal do mundo 'cobrir' assinatura de convênios para projetos que quase sempre nem são executados e mesmo assim quase ninguém parece se importar de verdade com isso, inclusive nós jornalistas.
Outra reflexão é que assessor deveria ter vergonha (muitos não têm) de ver a imprensa apenas como canal de divulgação de via única, e esquece ou não quer saber que a imprensa é uma instituição a serviço da sociedade (pelo menos deve ser né), portanto suas atribuições de coletar informação, reportar, editar, publicar, é uma demanda do estado democrátivo de direito, e por isso tem de ser atendida também nas situações problemáticas e negativas. Imprensa mal atendida é imprensa ruim, que erra sempre. Imprensa bem atendida é imprensa que erra ou não.
Vale a pena o relato da jornalista:
"Hoje pela manhã, eu - Soraia Carvalho e o cinegrafista Albenir Souza, nos dirigimos a Policia Técnica na tentativa de captar imagens das pessoas acusadas de tráfico de drogas presas pela Polícia Federal. Ao chegar no referido local, por volta das 10 da manhã, constatamos que tanto os agentes da PF quanto os da PC estavam com 7 flagrantes e já há bastante tempo a espera dos médicos sumidos que deveriam estar lá no plantão para fazerem os exames de corpo delito. Ao tentar colher informações e imagens, um funcionário identificado como Carlos Araújo, fazendo uso de grosserias, gritos de palavras de baixo calão e no abuso de autoridade - nos expulsou dali quase que nos trazendo pelas golas diante de todos. Não houve agressão física mas ficamos sem qualquer ação. Como nada podemos fazer no momento a não ser nos retirar humilhados, manifesto agora a nossa dificuldade de trabalhar em alguns órgãos públicos do estado principalmente quando se trata em mostrar o lado obscuro dos mesmos. No fim da manhã, a diretora da Policia Técnica Eliete Borges nos atendeu por telefone, foi comunicada do ocorrido e ela informou que não tinha conhecimento do caso. No entanto, esperamos que a reclamação seja bem mais que apenas ouvida. Será que no entendimento das "assessorias" a imprensa amapaense só serve para cobrir encontros, discursos e assinaturas de convênios em gabinetes?!"