29 de junho de 2008

Um presente para o jornalista

A distribuição de brindes promocionais a jornalistas é uma estratégia de muitas assessorias - principalmente das empresas e órgãos mais abastados - para difundir a marca do assessorado junto a este público formador de opinião. É a versão institucional do bonito ato de presentear a quem nos é proximo, que é legítima e bem-vinda quando feita em momentos oportunos, digo, em datas comemorativas da imprensa ou da instituição assessorada, e como parte de uma ação mais global de divulgação das atividades ou da missão do assessorado. Isso aí é feito às claras, algumas vezes até em forma de evento aberto ao público e de forma que o jornalista não sinta-se na "obrigação" de jogar confetes no produto em si (só porque o ganhou de mimo), mas sim dispor de mais informações e elementos que o leve a conhecer melhor a instituição assessorada.
O reprovável é o presentinho carregado de mensagens subliminares - muitas vezes nem tanto -, planejadas para laçar e amarrar o jornalista (há que se pensar que tipo de jornalista é esse) pelo sentimento da simpatia e da gratidão. Isso aí acontece muito com jornalista que vende sua consciência ao aceitar fazer parte da folha de pagamento de instituições públicas nem nunca aparecer para trabalhar, o assunto é tão delicado que sequer chega a ser discutido nos congressos dos jornalistas, mas é uma ferida que precisa ser tocada para chegarmos ao antídoto.
Alguns veículos se resguardam de situações onde seu repórter receba presentes e fique diante do dilema de receber ou recusar gentilmente. Lembro que o jornal Gazeta Mercantil, quando criou uma sucursal em Belém, e que nem existe mais, anexava ao contrato de trabalho do jornalista uma série de recomendações de comportamento na relação com as fontes, e uma delas limitava até uma certa quantia o valor do presente a ser recebido. Como presente também existe na forma de viagens e outras facilidades pra se produzir uma matéria, alguns jornais do Sul, Sudeste, DF, de algumas capitais nordestinas, de Belém e de Manaus, tomaram o saudável hábito de informar ao leitor quando se trata de reportagem facilitada pela fonte citada no texto.
Falo por experiência própria, de duas oportunidades em que estive em Fortaleza para fazer matéria de antecipação da micareta Fortal, e como em torno deste evento há toda uma estrutura profissional de divulgação dos atrativos turísticos da capital do Ceará, tivemos acessso gratuito a usufruir à vontade de vários espaços que dificilmente eu teria condições de pagar do próprio bolso, e muito mais dificilmente por parte do jornal onde eu trabalhava. Nesse caso, ficou claro e límpido para o leitor os nomes de todos os órgãos e empresas que possibilitaram as duas viagens e, conseqüentemente, a reportagem. Não digo que esta atitude do jornal é favor ou concessão, trata-se de uma coisa bem simples, de colocar em prática o que tanto se alardea nos slogans de que o direito e o interesse do leitor vem em primeiro lugar.

Corrêa Neto e eu

Chegou o tempo bom de rever os colegas das redações, o pessoal com quem falo rapidamente ao telefone ou troco e-mails sobre pautas. A finalidade principal é entregar em mãos o regulamento e fichas das inscrições do Prêmio Embrapa de Reportagem. Na primeira saída estive com o radialista/jornalista Corrêa Neto, responsável por um site de notícias (a maioria, enviada por assessorias) e também comentários em primeira pessoa (do Corrêa), com altíssima voltagem de credibilidade. À medida em que a conversa (de quase duas horas) fluía, íamos nos apresentando, sendo desnecessária a seqüência de perguntas no estilo pingue-pongue. Foi assim que, no diálogo, foi possível sabermos um pouco da história um do outro, nossas afinidades e diferenças, o sentido do jornalismo para nossas vidas. Faz tempo que deixei de mitificar pessoas, por mais valorosas que sejam, o que restou foi admirar o concreto nas pessoas, que é a verdade de cada um indissociável das suas atitudes, sonhos, virtudes, defeitos e falas. Assim, ninguém está cima do bem e do mal, e o interessante em Corrêa Neto é esta admirável consciência que ele me parece ter sobre sua honrosa contribuição ao jornalismo cidadão em Macapá, sem deixar de falar abertamente opiniões que não espera que sejam aceitas por todos. É um ótimo exemplo para estudantes, fontes, governantes, assessores e qualquer pessoa que sinta-se responsável por construir relações respeitosas e sem maniqueísmos.

26 de junho de 2008

Onde está o RP?

Hoje consegui ler com bastante atenção um blog que já gostei de cara (e está na minha lista Eu Gosto, no lado esquerdo da tela), quando acessei há alguma semanas. É o Caneta de Prata, da relações públicas Kelly Dayane. É tipo uma revista de variedades, com assuntos de política, artes, cidades. Kelly formou-se aqui em Macapá, e aqui permanece, pelejando com simpatia e altivez pelo reconhecimento da sua profissão, que é "invisível" no mercado se formos comparar com as co-irmãs do ramo da comunicação, jornalismo e publicidade e propaganda. É com Kelly que vou contar para fazer uma apresentação, na empresa onde trabalho, sobre o que é o RP, o que faz, seus instrumentos e métodos de trabalho, e sem esquecer quais os pontos de interligação com o trabalho do jornalista. É pouco provável que ela venha se preocupar com miudezas como definir quem é que faz o jornal institucional - RP ou Jornalista, até porque nesta seara quem define mesmo é o mercado, a disposição e a competência, e muitíssimo provável que traga uma colaboração importante ao profissionalismo da comunicação organizacional da empresa.

Entre os vários sites que falam do assunto, sugiro o Mundo das RPs. Está repleto de conceitos, cases, lista de discussão e tem até glossário.

25 de junho de 2008

Prêmio quente

Dias atrás falei do Prêmio Embrapa de Reportagem, que este ano tem como tema "Os desafios da pesquisa agropecuária frente às mudanças climáticas". As inscrições vão até 1º de agosto deste ano e o prêmio total é de R$ 80 mil, divididos para as matérias de impresso, rádio, TV e internet. As duas novidades são a proibição para inscrição de jornalistas vinculados à revista Globo Rural e a abertura para participação de correspondentes estrangeiros. No primeiro caso, a restrição acontece porque a Embrapa fez uma parceria com a revista, relativa ao Prêmio Frederico de Menezes Veiga, voltado a pesquisadores.

Mas falando especificamente do tema do Prêmio (clique aqui), percebi que não teríamos pautas locais devido à falta de pesquisas focadas no assunto. No entanto, como tem importância para a vida de todos - mesmo que nem todos saibam ou queiram saber - aproveitei no release sobre o Prêmio, trechos de uma entrevista do pesquisador Marcelino Guedes ao jornalista Paulo Ronaldo, do jornal A Gazeta do Amapá, publicada em 2007, onde ele falou sobre o assunto, que por sinal é tema recorrente de suas palestras em universidades e eventos de popularização da ciência. Abaixo, a entrevista:

Paulo Ronaldo - De que forma do aquecimento global atinge o Amapá?
Marcelino Guedes - Antes de analisar algum aspecto local das mudanças climáticas, é preciso ter ciência de que a questão deve ser tratada de maneira global. A atmosfera é um contínuo, portanto, para o clima não existem cercas. No caso da Amazônia Oriental, a maioria das previsões apontam para aumentos na temperatura, diminuição na precipitação, levando a estações secas mais
prolongadas e severas. Além do efeito direto sobre a população, essas mudanças podem causar aumento na inflamabilidade da floresta (maior vulnerabilidade ao fogo), mudanças na sua composição de espécies e na fitofisionomia, que é a possibilidade de mudança na ‘cara’ da floresta, por exemplo, a floresta virando um cerrado.

PR - Existe um estudo específico sobre o aquecimento global no Amapá. Há resultados, quais são?
MG - Não. No momento, as instituições científicas locais estão buscando as parcerias e a criação das condições de infra-estrutura para desenvolver ações de pesquisa nessa linha. Existem alguns projetos isolados cujas informações podem ser aproveitadas para estudos sobre o tema, mas nenhum projeto com o foco e a dimensão necessários para estudos sobre as
mudanças climáticas globais.

PR - O aquecimento é irreversível ou o homem pode fazer algo para estabilizar ou mesmo reverter?
MG - Não existe certeza absoluta sobre essas mudanças. Todos os estudos são realizados utilizando modelagem de cenários. No entanto, o fato que deve ser considerado é que todos os cenários são pessimistas, alguns mais, outros menos, mas todos pessimistas. Os cenários menos pessimistas são
aqueles onde a humanidade trabalha em níveis ótimos de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e em níveis ótimos de retirada desses gases da atmosfera através de mecanismos de fixação na atmosfera terrestre. Essa é a forma com que o homem pode contribuir. Diminuir as emissões, principalmente, através da redução do uso de combustíveis fósseis e diminuição das queimadas, e aumentar a fixação de
carbono através de reflorestamentos e da promoção do seqüestro no solo e
nos oceanos.

PR - O degelo no Ártico pode elevar o nível dos rios e até mesmo atingir o rio Amazonas? MG - Sim. O degelo das calotas polares, tanto da parte visível, quanto da parte submersa, assim como a expansão térmica da água dos oceanos devido ao aumento da temperatura, podem elevar o nível dos oceanos e alterar o regime das marés, influenciando a região das várzeas no baixo Amazonas que estão sob influência dessas marés. Além disso, pode aumentar também o degelo nas cordilheiras dos Andes, alterando o regime das águas no alto Amazonas, cujo período de cheias depende parcialmente das águas que vem dos Andes.

PR - A tendência é de que a temperatura no mundo (e no Amapá) fique mais quente nas próximas décadas? MG- As previsões apontam para aumentos na temperatura média que podem variar entre 2 e 6 graus. Existem também previsões de aumento no número e freqüência de eventos extremos (furacões, tornados, tempestades). Apesar de não haver certeza sobre essas mudanças, cada vez mais cientistas e governos do mundo inteiro se debruçam sobre a questão, aumentando a consciência de que o problema é sério e que não é fruto de alarmismo.

22 de junho de 2008

Fuzileiros no campo de pesquisa


Tenente Nunes (Marinha) e o supervisor do campo experimental, Adinomar, observando o cupuaçuzeiro.

Mais uma vez o campo de pesquisa agropecuária (incluindo o alojamento) da Embrapa, em Mazagão, serviu de área de treinamento para um grupo de fuzileiros navais da Marinha, subordinados ao IV Distrito Naval, sediado em Belém (PA). São cabos, sargentos e tenentes simulando ações de defesa das fronteiras da Amazônia, preparando-se para o combate a guerrilheiros. Esta não estava no scrpit quando fomos ao campo para acompanhar um Dia de Campo sobre cultivo de cupuaçu e de feijão-caupi. Mas nem por isso dispensamos a notícia, que pode muito bem interessar a blogueiros e colunistas. Nesse caso é fundamental associar a presença dos militares a alguma curiosidade que remeta diretamente ao trabalho da pesquisa, e isto deve se refletir na informação do texto e nas fotografias.
Para começo de conversa, a curiosidade comum de saber como é o treinamento, quando começou e termina, o objetivo. "Nesta simulação nós somos o grupo contrário ao Governo e queremos estabelecer uma zona livre", explicou o Tenente Nunes, que aproveitou para matar, também, a sua curiosidade sobre a clonagem de cupuaçuzeiro, uma das primorosas tecnologias da Embrapa. No total, 100 fuzileiros estiveram uma semana treinando no município de Mazagão.

Comunicação e Consulta Pública do MP

Em Macapá temos muitos jornalistas de assessoria que vão além do release, atuam em ações estratégicas de comunicação, portanto, enxergem a imprensa e os coleguinhas avulsos como públicos qualificados e não como meros canais de divulgação. No momento posso citar Camila Karina, que nem conheço pessoalmente, e Alcilene Cavalcante. As duas são do Ministério Público do Estado do Amapá (MPE), a primeira na assessoria de comunicação e Alcilene em função fora da arena da comunicação institucional, atuando como coordenadora de um setor estratégico - não lembro o nome agora. Estão empenhadas na ação de comunicação voltada para a consulta que o MP está fazendo junto à sociedade para elaborar seu Planejamento Estratégico, que é um instrumento de gestão importante, porque serve para definir orçamento, quantitantivo de pessoal, prioridades de atuação, entre outros direcionamentos. Fiquei até curiosa para saber como foi o planejamento da comunicação para esta Consulta Pública e para o próprio processo do Planejamento Estratégico do MP, tá aí um bom assunto para um seminário com profissionais e estudantes.
Da parte de Camila Karina, recebi e-mail que ela enviou, também, a vários sites de instituições públicas, de faculdades e blogs, para que publiquem o link da consulta pública do MP. Como um jornalista comprometido com a democratização da informação e dos meios formais e informais de comunicação pode ficar de fora de uma iniciativa dessas? Enviarei o link da Consulta Pública para todos os funcionários da empresa onde trabalho, com reforço no quadro de aviso.
Alcilene Cavalcante, que já me deixou bestinha ao elogiar este blog, lembra lá no Requiquete que "a participação da população no Planejamento Estratégico do Ministério Público pode ser feita através do portal da internet do Ministério Público www.mp.ap.gov.br e em todos os prédios do MP no estado, através de formulário impresso de pesquisa. Na versão impressa o formulário de pesquisa está disponível nas dependências da Procuradoria-Geral de Justiça, nas Promotorias de Justiça de Macapá, da Cidadania e nas promotorias de os Municípios.

Para acessar, participar e passar adiante, basta clicar aqui Consulta Pública

Todos por Todos


Ricardo, Amelline, Marcelino e Walter em Mazagão(AP).
Isso aqui não é um álbum de fotografias para mostrar a boa cara dos colegas de trabalho. Escolhi esta foto, entre tantas outras da Caravana da Ciência, evento da Secretaria de Ciência e Tecnologia que participamos no último sábado, em Mazagão, porque representa a multidisciplinaridade na comunicação. Na prática, significa o trabalho integrado de profissionais de diferentes áreas, para que o objetivo final seja alcançado. Nesse caso, mais do que isso, expressa o compromisso individual - para o sucesso coletivo - mesmo diante das adversidades que enfrentaram ao logo do dia. E ainda posaram com boa vontade, cansados em pleno "final de festa".
O que eles fariam normalmente naquele sábado? Da esquerda para a direita:
Ricardo Costa, técnico de informática, costuma reservar o sábado para musculação, compras, faxina de casa e dormir;

Amelline Borges, estagiária de Comunicação, seu sábado é dedicado a brincar com o filho de 2 anos, mas às 6h beijou o rebento que dormia e saiu em busca de aprendizado profissional.

Marcelino Guedes, pesquisador, engenheiro florestal, naquele dia curtiria mais o filho no dia do seu aniversário, havia chegado da Flona do Amapá horas antes, depois de dias de aulas práticas para os mestrandos de Biodiversidade, mas chegou a Mazagão em tempo de palestrar sobre mudanças climáticas mesmo depois de o carro quebrar e levar um tempo para consguirem outro transporte.

Walter Paixão, engenheiro agrônomo, mordido por uma pitbul na véspera do evento, certamente iria procurar um médico no sábado, mas dirigiu um dos carros da equipe da Embrapa até Mazagão, no intervalo da programação foi ao posto de saúde e retornou a Macapá ao volante.

19 de junho de 2008

A pessoa

Quando será que vale a pena realçar uma pessoa em especial, entre tantos outros que fazem parte de uma mesma organização? Creio que é legítimo realçar os feitos, a saga, a graça e a história individual (não falo das firulas, claro, porque em tese assessoria não se presta a isso) de um funcionário nas seguintes situações:
- em caso de informativo interno, quando tratar-se de uma série com perfil de cada funcionário, mas veja bem, é bom ter certeza de que a publicação vai prosperar e, portanto, todos (todos!) irão aparecer. Por respeito e correção técnica, é bom reservar o mesmo número de caracteres, até porque alguém sempre arranja um tempinho para contar, pode acreditar.
- em caso de release para imprensa, aí é bom ter o maior zelo do mundo pela observância do critério estritamente técnico. Exemplo? estamos em pleno bafafá da mídia pelos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Eis que na empresa onde trabalho temos um sansei (neto de imigrante japonês), um único sansei. Nenhum nissei (filho de imigrante japonês), nenhum yonsei (bisneto de imigrante japonês). Quem você acha que vai virar notícia, tanto interna quanto externamente? O colega descendente da leva de japoneses que aportam em Santos (SP) no dia 18 de junho de 1908, claro, lógico e evidente. E aí, seria ilegítimo e insensato insinuar qualquer possibilidade de preferência ou privilégio. Muito pelo contrário, é nesta hora que percebemos a pró-atividade de uma assessoria para identificar possibilidades de vincular fatos de interesse geral à vida pessoal ou profissional dos que fazem a empresa assessorada.

18 de junho de 2008

Design gráfico

Em matéria de desenho, o máximo que eu conseguia rabiscar na escola era a manjada casinha com o sol risonho. Agora, mulher-jornalista feita, estou em plena era da utilização avassaladora das formas e cores em produtos jornalísticos, impressos e digitalizados. No espaço da mancha gráfica, é fácil perceber que o poder de mando é da forma sobre o conteúdo, talvez influência direta da televisão na "cara" dos jornais impressos. Mesmo assim, não creio que seja necessário o assessor dominar os softwares de criação gráfica e de designer, ficar horas e horas desenhando no papel branco ou apertando o mouse sem parar na manipulação dos maravilhosos recursos dos programas de editoração. Imprescindível mesmo é ter a noção técnica de diagramação, entender o básico de contraste, cores, brilho, tipos de papel e tudo relacionado aos princípios do desenho gráfico e impressão. Senão, como o assessor teria condições de avaliar, selecionar e recomendar a contratação de serviços nesta especialidade.
E por falar neste assunto, pra não dizer que não lei de um mundo melhor, alguém já ouviu falar da relação entre design gráfico e sustentabilidade? Pois é, tem coleguinhas no Brasil aplicando este conceito na produção e também capacitando, por meio de cursos do Senac de Santa Catarina. Quer conferir? clica aqui Design Gráfico

14 de junho de 2008

Do you speak english?

A estudante de jornalismo Amelline Borges e o assessor de comunicação da Embrapa em Brasília, jornalista Edilson Fragalle.

É muito provável que a Embrapa contrate mais jornalistas, relações públicas e designers até 2010. Há uma convergência de fatores para isso acontecer: nos próximos dois anos e meio, a empresa vai abrir 1.120 novas vagas em todo o país (não só para pesquisadores, vale lembrar) e criar três novos centros de pesquisas: Maranhão, Tocantins e Mato Grosso do Sul.
Como a meta institucional é ter pelo menos um profissional de comunicação em cada unidade da empresa e já se pensa em abrir vagas para jornalistas nos laboratórios e escritórios do exterior, o contigente atual não atenderia a esse alargamento da comunicação social da empresa. Além disso tudo, a empresa vai reformular sua política de comunicação, que começou a vigorar há 13 anos e contou com consultoria de Wilson Bueno, uma das referências em jornalismo científico e comunicação organizacional na América Latina.
Detalhe: o próximo concurso para jornalistas certamente vai exigir um perfil mais adequado ao novo desenho institucional da empresa: internacionalização das suas atividades de pesquisa e transferência de tecnologias, criação da Embrapa Participações (para licenciamento da marca etc), uso intensivo da web e mídias digitais e impressas para desenvolver ações de comunicação agregadas a produtos tecnológicos. Portanto, quem tem interesse é bom que fale, ao menos, uma língua estrangeira fluentamente; conheça bem como produzir para a web e conhecimento de relações político-econômicas internacionais.
A forte tendência de internacionalização da Embrapa e a conseqüente necessidade de profissionais de comunicação capacitados para atender a empresa no exterior, foi um toque do chefe da Assessoria de Comunicação Social (ACS), Edilson Fragalle. Ele esteve em Macapá esta semana, acompanhando o presidente da empresa (Dr Sílvio Crestana) e falou um pouco do seu trabalho com a estagiária da Área de Comunicação da Embrapa Amapá, Amelline Borges.
O bate-papo nós cedemos gentilmente ao blog Meca da Notícia, das jornalistas Dione Amaral e Neide Dolla, por sinal incluído na minha lista "Eu gosto". Será publicado lá na próxima segunda-feira.

Perfil do asssessorado

Que tipo de informação é relevante para escrever o perfil do assessorado e distribuí-lo à imprensa? Foi isso que fiquei me perguntando esta semana. Dizer que o bom senso deve prevalecer não diz muita coisa, ainda fica abstrato.
Antes de continuar, quero esclarecer que não pretendo, de jeito nenhum, passar um tom professoral neste blog, até porque não tenho talento nem disposição. O que se tem aqui são relatos da minha rotina, com destaque para as atividades que me trazem dúvidas ou certezas de como proceder para realizar um trabalho de boa qualidade técnica e com ética.
Voltando ao assunto composição do perfil do assessorado. Tenho sorte de o meu perfilado ser pró-ativo e chegado a um diálogo com a assessoria da empresa. Antes mesmo de ser solicitado, entregou-me seu Memorial. O que é isso? Um texto escrito em primeira pessoa, praticamente um depoimento com detalhes de onde nasceu, data, nomes dos pais, história escolar, da carreira profissional, dados do cônjuge e, no caso do dirigente da empresa que assessoro, ele fala sobre suas motivações para administrar a empresa, as metas, suas observações sobre o clima interno e, claro, algumas laudas contando suas propostas.
Que riqueza de material. Além disso, colocou em minhas mãos a proposta detalhada que ele apresentou à banca de seleção para o cargo. Para completar o céu de boas nuvens, nenhuma recomendação especial, nenhum censura, nenhum corte.
Depois de termos material à mão, percebi que é sempre bom tirar alguma dúvida conversando com o perfilado. Dosado habilidade, profissionalismo e simpatia natural, é possível extrair informações interessantes e curiosas, que podem ser de interesse público. Isso é ser repórter na assessoria, é a oportunidade de fuçar ganchos para veículos diversos, como telejornais tradicionais, programas de rádios mais informais,, coluna social e outras linguagens a serem exploradas a partir de uma mesma pauta.
Agora, mesmo quem não conta com um contexto tão favorável como esse que encontrei, não pode deixar de cumprir sua atividade de perfilar o dirigente. Porque é de interesse público a informação sobre quem é, o que faz, o que pensa, o que pretende o dirigente de uma instituição pública ou o alto executivo da empresa privada.

11 de junho de 2008

Um repórter no Palácio do Governo


Acima, o repórter Evandro Luiz (TV Amapá) entrevistando o Presidente da Embrapa (Dr Sílvio Crestana, é Dr mesmo, em ciência dos solos), no Gabinete do Governador do Amapá. Foram cerca de duas horas de espera. Pela chegada do convidado e depois pelo término da conversa, que felizmente ele pôde testemunhar e, assim, captar notícias soltas no bate-papo.
Foi assim que conheci um pouco de como funciona o acesso da imprensa ao gabinete do Governador do Amapá. Nada diferente do que vivenciei nos anos de repórter do governador do Pará. Primeiro, o repórter de imagem faz as imagens do bate-papo do chefe do Executivo Estadual com seus convidados. O repórter aguarda na ante-sala. Dependendo do teor das conversas, pode até ser autorizado a testemunhar. Estou muito cansada, com sono. Mas pretendo me alongar mais nesse assunto, possivelmente no próximo sábado.

10 de junho de 2008

Aumento de responsa

Quem está na chuva é pra se queimar, e quem entra no fogo é pra se molhar. Não, eu não fiz confusão com os ditos populares. Isso é só para descontrair um pouco ao falar da responsabilidade de manter este blog, principalmente quando passa a ser sugerido por profissionais que são ótimas referências na comunicação, no Amapá. Igualmente prazeiroso como doce de leite e emplacar nosso assessorado na mídia, é ser sempre franca. Então assumo que fico envaidecida sim por fazer parte das listas de indicações dos blogs de Luciana Capiberibe e de Alcinéa Cavalcante. Não apenas pela notoriedade das duas, muito mais por conhecer o apurado senso crítico delas.

Primeiro, foi Luciana, que no dia 28 de maio postou a seguinte nota no seu sítio: "O Blog Além do Release da jornalista Dulcivânia Freitas fala sobre a experiência da autora na Embrapa e as práticas e desafios da vida real de um assessor. Vale a pena ler, comentar e trocar idéias sobre o tema. Clique aqui para conhecê-lo".

E hoje (10/6) lá vem Alcinéa sugerindo o Além do Release na sua recém-criada lista de Blogs Pai D'égua. Seu recado: Além do Release - É o blog da jornalista Dulcivânia Freitas, cheinho de dicas pra quem trabalha ou quer trabalhar em assessoria de imprensa. Assessora de Comunicação da Embrapa-AP, Dulcivânia também fala da rotina de um assessor. Mas ressalta que é da rotina além do release, “aqueles fatos que fazem parte das múltiplas atividades de uma assessoria. Situações que colocam em cheque a disposição e a habilidade do profissional que, na essência da formação acadêmica, é um comunicólogo.” Vale a pena navegar por lá. Anote aí e coloque nos seus favoritos: http://alemdorelease.blogspot.com".

É muito bacana ver isso, uma honra. Ma não me exime do permanente aprendizado. Obrigada e volte sempre! rssss

9 de junho de 2008

Consulta rápida

O Comunique-se é um dos portais que possibilitam ao próprio assessor inserir suas sugestões de pautas. Basta preencher o formulário e receber a senha para postar na seção Matéria-Prima.
De quebra, tem um minúsculo manual de regras para escrever releases. Será que tinha gente vacilando no básico do básico? Vale como consulta rápida.

Estilos de regras para releases da Associated Press (AP)

1. Títulos devem ser compostas de maiúsculas e minúsculas (não só de maiúsculas) e não devem ter mais do que três linhas de comprimento.

2. O primeiro parágrafo de seu press release deve ser composto por uma sentença.

3. Cada parágrafo seguinte NÃO deve exceder seis linhas de comprimento.

4. Sempre abrevie Corporação, Incorporado, Companhias e Limitada no nome de uma empresa, exceto quando estas forem uma parte do nome da empresa.

5. Troque "Hoje" para o dia da semana em que o release está sendo enviado.

6. Abrevie todos os meses, quando associados à data: Jan., Fev., Ago., Set., Out., Nov., e Dez., mas escreva de forma completa quando usado sozinho ou com apenas com o ano. Exemplo: Dezembro, 2003 OU Dezembro passado.

7. Cargos devem aparecer em minúsculo a menos que eles precedam o nome da pessoa. Exemplo: Vice-Presidente T. Murray Toomey OU T. Murray Toomey, vice-presidente da......

8. Números de 1 até 9 devem ser escritos por extenso. Qualquer número maior do que 9 deve ser usado em numeral. (Existem exceções, como percentuais, milhões...)

9. Escreva em minúsculo norte, sul, noroeste, nordeste, quando eles indicarem direção. Coloque a primeira letra em maiúsculo quando designar regiões. Exemplo:

* Os costumes do Norte são diferentes.
* A tempestade começou no Sul.

Pacote de imprensa

Tenho ocupado meus dias com a preparação de um arremedo do que entendo por Press-Kit. Esta expressão é muito conhecida nas assessorias, na tradução literal significa Pacote de Imprensa. Trata-se de um conjunto de materiais de apoio e brindes (atenção, que sejam promocionais) que servem para facilitar a cobertura jornalística de um evento, produto, projeto, ou qualquer outra coisa que justifique um planejamento à parte na rotina da assessoria.
Falo arremedo porque não será possível incluir alguns itens acessórios, que inicialmente planejávamos para a solenidade de posse do chefe da empresa. Em compensação, há um esmero na produção dos releases para que os colegas das redações tenham à disposição diferentes enfoques e alternativas de ganchos do mesmo assunto. Há todo um cuidado com a escolha e edição das fotografias, que naturalmente precisam ter valor informativo e também encantar pela plasticidade e primor de luz, textura, contraste.
Tenho sentido na pele do corpo inteiro, que providenciar um Press-Kit não é simplesmente entulhar uma linda pastinha transparente ou um envelope timbrado, com fotos, CDs, textos, canetas, blocos de anotações, etc etc. Precisa, muito antes, tomar conhecimento dos detalhes do evento, o ideal é participar das reuniões de planejamento e a partir da programação completa, elaborar um plano de mídia com ações antes, durante e pós-evento.
Neste pacote especial, entra o Press-Kit, com produtos da própria esfera da assessoria de imprensa - releases, fotografias, informativos. Também não deixa de ser formidável dispor de uma verba para os brindes personalizados, de preferência que sejam úteis e lúdicos.
Com o irrestrito conhecimento da programação, chega o momento de listar o que se sonha para o Press-Kit. O importante é manifestar todas as idéias. Em seguida, avaliar o que é viável providenciar com os recursos financeiros que se dispõe e dentro do tempo que se tem até dois dias antes do evento. Define-se os parceiros, cada um com sua responsabilidade e mãos à obra. Nem sempre é possível produzir o que foi pensado inicialmente, mas o essencial jamais pode faltar: a notícia, que é a grande perseguida, seja apreseentada em belíssima folheteria em couchê ou numa lauda de A4 branco.

Ouvir para enxergar

O ritmo da produção jornalística, para quem trabalha em Redação, é inconciliável com o tempo destinado a discursos solenes. Mesmo que sejam curtos - vale a sugestão de 5 minutos?, o senso comum nesta audiência especial é de que aquelas palavras todas, principalmente quando lidas, com todas as regras gramaticais respeitadas e expressões sempre polidas, geralmente "não rendem", ou seja, não contêm informações que possam subtanciar um lead.
Além de fé na vida, sempre tive a estranha mania - aos olhos do meus colegas - e a paciência sincera de prestar atenção no falatório de políticos, dirigentes de estatais e executivos. Ficava numa aflição danada quando não havia tempo para ficar na solenidade além do momento de gravar a entrevista - que, acreditem, não destoa mas passa bem longe do discurso.
Só que tem uma coisa, discurso falado (espontâneo, ensaiado ou lido) não se encerra em si. O discurso de um gestor público ou de um empresário é apenas uma das representações da sua forma de pensar a sociedade, os meios de produção, o papel da imprensa, a democracia, o capital financeiro e de falar o que ele pensa e sabe sobre a instituição que representa. É preciso avaliar, também, o que deixa de ser falado no discurso, e isso só é possível para o jornalista que se propõe a uma leitura mais ampla dos discursos possíveis, que estão presentes no grau de inserção da instituição em debates públicos e na forma com ela se comunica com seus públicos de interesse direto.
Tenho a tarefa de elaborar um roteiro do discurso de posse do meu chefe e, embora, isso não conste como atividade regular de assessor nos manuais, a prática ensina que, nós, jornalistas de assessoria, temos nesse nicho a ser conquistado. É só prestar atenção para ver que quase todas as matérias (com notícias) sobre o Presidente Lula são baseadas nos seus discursos, que por sua vez são roteirizados por uma equipe de jornalistas nomeados para esta tarefa. O que interessa é que tenha notícia, não importa se vier na bravata, na fala pausada, no susssuro, na polidez ou na fala escrachada. Quem fala tem que dizer e quem ouve tem que enxergar.

3 de junho de 2008

Muito além...

Nunca o título deste blog foi tão adequado às minhas responsabilidades de assessora. Elaborar orçamento, produzir material institucional, agendar entrevistas do presidente da Embrapa com editores e pauteiros, atender jornalistas, imprimir folder sobre coleta de solos para o cliente que chega sem avisar (e daí, problema meu se fui pega de supresa e cheia de tarefas), orientar as estagiárias em outras várias atividades. Assim tem sido e assim serão os próximos oito dias, intensos porque antecedem a chegada do presidente da Embrapa ao Amapá. Lembrei de algo confortante: "tudo passa, tudo passará..." Assim que passar, volto a escrever com mais fôlego, menos cansaço, menos pessoalidade, mas igualmente feliz. Até lá!

Hanne com Deus

A querida Hanne se foi. Sabemos que para os branços do Senhor.

2 de junho de 2008

Casca de banana

Quando uma instituição, qualquer uma, de qualquer porte ou segmento, não tem equipe completa de profissionais de comunicação, é comum jogar no peito do assessor de imprensa a responsabilidade por atividades que são típicas de Relações Públicas. O problema é que, em alguns casos, mesmo a instituição contando com um RP, confunde este profissional com animador de auditório ou recepcionista simpático. É bom o assessor ficar atento e não se iludir, porque o que parece reconhecimento profissional pode se tornar uma armadilha para o fatídico 'faz-tudo', que no final é um amontoado de tarefas sem planejamento e sem valor correspondente à habilitação profissional do jornalista.

Hanne, sempre querida

Do blog de Luciana Capiberibe, a mais recente notícia da colega querida Hanne. "Hanne dorme. A jornalista Hanne Capiberibe amanheceu o dia de ontem, 1 de junho, em coma induzido. Ela dorme serena e tranquila, a família aguarda o momento em que seu corpo sucumbirá ao câncer, que já domina boa parte de seus órgãos. Até os últimos minutos em que Hanne ficou lúcida ela apresentou muita tranquilidade diante da doença e apesar de estar debilitada, chegou a escrever uma carta de agradecimento aos médicos que cuidaram dela e a todos aqueles que a cercaram de amor e conforto nos seus últimos momentos".

1 de junho de 2008

Prêmio de reportagem

Matérias que tratem da pesquisa agropecuária diante das mudanças climáticas serão premiadas pela Embrapa. As inscrições do prêmio de reportagem da empresa estão abertas. Podem concorrer, as reportagens de impresso, rádio, TV e web, veiculadas de 16 de agosto de 2007 até 1º de agosto de 2008, data em que será encerrado o período de inscrição.
O valor total do prêmio é de R$ 80 mil. Os resultados, local, data e horário de entrega do prêmio, serão divulgados no dia 12 de setembro. A entrega será feita em Brasília. Informações sobre inscrições e regulamento, é só clicar aqui 11º Prêmio Embrapa de Reportagem
A providência imediata da assessoria é conversar com pesquisadores da Embrapa Amapá, para verificar se há estudos em andamento ou concluídos sobre este tema no nosso estado, mesmo que sejam em parceria com outras unidades da Embrapa ou outras instituições locais. Embora a divulgação do prêmio tenha espaço cativo na imprensa local, a participação dos colegas do Amapá depende, logicamente, da existência de estudos feitos neste estado.
Assim que chegar o material do prêmio – regulamento, cartazes e folderes, farei a entrega pessoalmente nas redações. Fico devendo aqui a informação se temos ou não pesquisas locais, relacionando pesquisa e mudanças climáticas. Enquanto isso, veja abaixo o resumo de como a Embrapa atua nesta importante questão, por meio de unidades instaladas em São Paulo e em Brasília.
O assunto mudanças climáticas foi bastante badalado na imprensa, na época da divulgação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). O acelerado aquecimento da Terra ou aquecimento global – como queira, tem sido o aspecto mais destacado. Trata-se do aumento constante da temperatura mínima na Terra, nos últimos 50 anos, em 1,5 graus.
No texto do regulamento do prêmio, a Embrapa lembra que “No Brasil, quando o assunto é o aumento da temperatura global, fica claro o duplo protagonismo da agropecuária: atualmente ela é considerada uma das responsáveis, mas com certeza será sua maior vítima. Pois, ao mesmo tempo em que suas atividades podem responder pela emissão de gases que contribuem para o efeito estufa, a agropecuária é extremamente vulnerável às mudanças climáticas. Por outro lado, várias das possibilidades de limpeza da atmosfera também podem vir da agricultura e da agroenergia. E essas são desafios para a pesquisa”.
Antes da divulgação do IPCC, a Embrapa já chamava a atenção para o grande impacto na produção agrícola brasileira, caso a temperatura média do planeta aumentasse entre 1 e 5,8º C (graus Celsius). O estudo foi concluído em 2005 e contemplou soja, milho, arroz, feijão e café.
A continuidade da pesquisa vai tratar do impacto que cada região do país sofrerá com o aquecimento global previsto pelo IPCC, em trabalho conjunto com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Serão avaliadas, também, culturas não contempladas no estudo anterior, especialmente a cana-de-açúcar, apontada como matriz energética essencial para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera.
Para o pesquisador Fábio Marin, da Embrapa Informática Agropecuária, o uso de combustível fóssil é o fator que mais contribui para a elevação das temperaturas, mas a solução não é apenas trocar uma matriz energética por outra, como a substituição do petróleo pelo álcool, e sim reduzir o consumo destes produtos.